Um caminho para impor

By Ricardo

A vida é minha, faço dela o que quiser. Ou tento. Seria assim não fosse os outros. Porque cada um tem um projeto e, como disse Sartre, o mundo é o lugar onde os projetos se encontram.

Malditos projetos convergentes! Tantas possibilidades até que as circunstâncias escolham entre quais eu posso escolher. E, indiretamente, quem criou as circunstâncias foram os outros. Devo odiar o outro? Ou ele está apenas fazendo o seu trabalho de tentar fazer valeu seu projeto também? A culpa de o mundo não suportar todos os projetos não é dele… Sendo assim os outros têm, ou precisam ter, raiva de mim? É lógico, pensando no sentido inverso, que eu crio circunstâncias para as provas dos projetos alheios…

Mas não me sinto odiado. Não de forma geral. Talvez não sejamos todos concorrentes. Talvez provas sejam necessárias. Quem sabe o outro contribua para nossa evolução da mesma forma que um leão contribui para a evolução da população de antílopes quando a ataca, eliminando os fracos. Eles não precisam odiar para isso, não precisam ser malditos pois apenas sobrevivem. Talvez o outro não deva ser encarado como ente vivo, ou como uma personalidade em si, mas como um conjunto de fatores e dificuldades que devem ser superadas quando preciso. Existindo ou não.

A vida é minha, faço dela o que quiser. Ou tento. E para isso crio minhas próprias hipóteses frias e calculistas.

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